Afastamentos do trabalho por vício em apostas crescem 1.283% em Minas Gerais

O número de trabalhadores afastados de suas funções em Minas Gerais devido ao vício em apostas virtuais apresentou um crescimento alarmante nos últimos cinco anos. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que as licenças concedidas pelo INSS saltaram de apenas 6 casos em 2021 para 83 em 2025. Esse avanço representa uma alta de 1.283%, evidenciando o impacto severo do transtorno de hábito e impulso na saúde pública e no mercado de trabalho mineiro.
As estatísticas referem-se aos segurados do Regime Geral de Previdência Social que precisaram de mais de 15 dias de afastamento. Ao todo, o estado já acumula 185 benefícios por incapacidade temporária motivados pelo jogo patológico. O fenômeno reflete uma tendência nacional, onde o auxílio por incapacidade relacionado a essa compulsão cresceu mais de 6.000% na última década, desafiando a produtividade e a gestão de recursos humanos nas empresas.
Especialistas alertam que a ludopatia, ou vício em jogos, manifesta-se no ambiente corporativo através de faltas frequentes, queda de desempenho e uso excessivo de celulares durante o expediente. Diante da gravidade, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já discute a possibilidade de equiparar a condição ao alcoolismo. A medida visa garantir proteção legal ao trabalhador e evitar demissões discriminatórias, focando no tratamento médico em vez da punição administrativa.
No âmbito da saúde, a busca por atendimento psicológico também disparou. Somente em Belo Horizonte, os atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos primeiros meses de 2026 já representam quase 80% do total registrado em todo o ano anterior. Profissionais de psicologia reforçam que as plataformas digitais aceleram o ciclo de dependência, transformando o que deveria ser entretenimento em um comportamento de alto risco com prejuízos financeiros e emocionais graves.
Para tentar frear o avanço do problema, o Governo Federal implementou ferramentas de autoexclusão e limites de gastos em aplicativos de apostas. No entanto, o suporte médico especializado continua sendo a principal via para a recuperação dos afetados. Empresas do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba também devem ficar atentas aos sinais de dependência entre colaboradores para oferecer o encaminhamento adequado aos serviços de saúde mental.
Com informações de Regionalzão.



