Segurança

Operação resgata 208 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Minas Gerais

·há 1h
Operação resgata 208 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Minas Gerais
Operação resgata 208 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Minas Gerais

Uma força-tarefa nacional, denominada Operação Resgate VI, retirou 208 pessoas de condições degradantes de trabalho em Minas Gerais durante o mês de agosto. A ação mobilizou auditores-fiscais do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e Polícia Federal. O estado liderou o ranking de resgates na Região Sudeste, com foco intenso em fiscalizações no interior mineiro. O Alto Paranaíba concentrou o maior volume de libertações, somando 130 trabalhadores resgatados em diversos municípios.

Um dos casos mais críticos foi registrado em uma fazenda de batata e café em Estrela do Sul, onde 44 pessoas viviam em situação estarrecedora. Entre as vítimas estavam 23 imigrantes africanos do Senegal e Burkina Faso, além de brasileiros vindos do Nordeste. Os trabalhadores não possuíam registro em carteira e enfrentavam a ausência total de banheiros, sendo obrigados a realizar necessidades fisiológicas no meio da plantação, sem qualquer privacidade ou higiene básica.

Além da falta de saneamento, a fiscalização constatou que a fazenda não fornecia água potável nem local adequado para refeições, obrigando o grupo a comer no chão da lavoura. A remuneração era feita exclusivamente por produção, suprimindo direitos como férias e 13º salário. Diante do flagrante, o proprietário assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) prevendo o pagamento de mais de R$ 800 mil em indenizações por danos morais e verbas rescisórias.

Os órgãos de controle reforçam que o combate à exploração humana depende diretamente da colaboração da sociedade. Denúncias podem ser feitas de forma anônima e sigilosa através do Sistema Ipê ou diretamente nos canais de atendimento do Ministério Público do Trabalho. A força-tarefa reitera o compromisso de erradicar práticas degradantes que ainda persistem tanto no meio rural quanto nos centros urbanos de Minas Gerais. Com informações de Regionalzão.